INÉRCIA
Brado eu triste, revoltoso.
Minha voz rouca não alcança
Nem mesmo os ares da madrugada
Silenciosa, absoluta.
Minha tese não tem argumentos,
Minha poesia não tem ornamentos,
Minha vida não tem ensinamentos,
Insana, breve, como um tormento.
Vivo hoje, mas não o agora.
Vivo o sempre que não demora.
Não vivo o viver que ontem tive.
Não choro as lágrimas secas,
Mesmo entre os que muito estive.
Minha vida é contradição,
É brava inibição
Sustentada pela multidão
Que observa calada
O protesto pobre,
A anarquia nobre
De tempos obscuros,
De olhares mudos.
Protesto contra tudo,
Sereno e resoluto.
Não tenho razão para ser,
Ao menos para viver
Entre os quais não me identifico,
Doentes pelo vício.
Vírus desejoso
De uma ambição demente,
De uma ânsia de possuir
Aquilo que se pode ter
Às custar do sofrer.
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