domingo, 3 de junho de 2012

Desencontro
vai ao encontro
do nada
vazio
vaga pela madrugada
em desconcerto
com o concerto da vida
em desarmonia
com a harmonia tecida
desencantado
com o encanto das flores
desanimado
com o ânimo das dores.
Destruído.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

INÉRCIA

Brado eu triste, revoltoso.
Minha voz rouca não alcança
Nem mesmo os ares da madrugada
Silenciosa, absoluta.

Minha tese não tem argumentos,
Minha poesia não tem ornamentos,
Minha vida não tem ensinamentos,
Insana, breve, como um tormento.

Vivo hoje, mas não o agora.
Vivo o sempre que não demora.
Não vivo o viver que ontem tive.
Não choro as lágrimas secas,
Mesmo entre os que muito estive.

Minha vida é contradição,
É brava inibição
Sustentada pela multidão
Que observa calada
O protesto pobre,
A anarquia nobre
De tempos obscuros,
De olhares mudos.

Protesto contra tudo,
Sereno e resoluto.
Não tenho razão para ser,
Ao menos para viver
Entre os quais não me identifico,
Doentes pelo vício.

Vírus desejoso
De uma ambição demente,
De uma ânsia de possuir
Aquilo que se pode ter
Às custar do sofrer.
EMPTY

For some reason, I can't find what I want.
If I'm thisrty, I drink
If I'm hungry, I eat
It's how life works, it's how I keep myself alive
But I have no soul, I have no reason for living
'cause I can't find what I want.

I once believed I wouldn't feel this way forever
But now I start to think that my miserable existence
has no meaning at all.

No love, no hate
Just morphine in my blood.

And I'm still sleeping.


- Mariana Ciotta
JUST.... I DON'T MIND...

Funny.
Fuzzy buzz.
Good start
to sleep in reality
to fade in dream
to forget the truth
to avoid the help

I've forgot the meaning
of my existance
of my human being.

I can't remember how
I've found some answers
for some stupid questions
for some stupid me.

Now i've grown
now i've found
a way out here
but no answer at all
'cause as long as i live
as less i believe
as less i dream
as less i live.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

BEL- / TRIST-

Bela tristeza, triste beleza.
Fábula desaventurada,
Aventura desenganada,
Engano mal intencionado.
Intenção de permanecer
Em estado elevado,
Torre entre nuvens,
Indiferentes às ferrugens,
Indolentes aos cuidados
Da alma que sofre.
Sofrimento bem vindo,
Posto que torna bela
A face esculpida pelo tempo,
Torna carente o corpo casto,
Transfigura palidez
Mesmo no rosto mulato.
Maquiagem dos infelizes
É a lágrima escondida,
Segura, inibida,
Prestes a desabar,
Mas presa pelo pudor,
Travada pela vergonha,
Enjaulada na concha
Formada pelo calcário da dor,
Sedimentado em longos anos
De sofrimento recluso.
Impenetrável claustro
Construído para proteger
Da sociedade que ameaça,
Que julga, que sentencia.
Dor escondida no subconsciente
Que por vezes atravessa,
Ameaça a consciência
Na iminência de uma recaída,
De uma lágrima caída,
Mas que é logo enxugada
Antes mesmo de nascer,
Por não comportar o belo rosto
A ferida exposta,
Mas sim a aparência serena.
Triste sim, mas contida,
Por ser a tristeza uma senhora,
Por ter a beleza de uma jovem.
Não desesperada, posto que é dama.
Não revelada, posto que é vergonha.
Não curada, posto que é câncer.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FILOSOFIA IGNORANTE

Quero uma filosofia ignorante
longe da verborragia pedante
longe da prolixidade entediante
longe da elite intelectual,
falida e desesperada
cética e desacreditada.

Quero uma filosofia pura
próxima do saber aventura
próxima da sã loucura
próxima da tabula rasa,
cheia de vazio
impregnada de brio.

Quero uma filosofia poética
sem a preocupação estética
sem os pudores da ética
sem composições metrificadas,
apenas poesia pensante
apenas filosofia ignorante.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

SALA DE ESPERA

Entra na sala, a secretária logo se dirige com o bordão:

- O doutor o atenderá dentro de alguns minutos...

- Defina "alguns".

- Desculpe, não entendi.

- Quantos minutos? Não tenho tempo a perder.

- O senhor possui algum compromisso?

- Defina "compromisso".

- Perdão?...

- Está perdoada.

- O senhor tem algum lugar para ir ou alguma coisa para fazer?

- Acho que algum lugar para ir já seria alguma coisa para fazer.

- Hã?...

- Nada. A vida é curta demais para corrigirmos pleonasmos.

- Mas afinal, o senhor tem algo para fazer que não possa esperar alguns minutos?

- Bem, eu definitivamente tenho muitas coisas que pretendo fazer. E depende de quantos minutos vou ter que esperar.

- O senhor precisa ter paciência, ainda são duas horas da tarde.

- são duas horas da tarde. Não me falta paciência, me falta tempo.

- Olha, eu também estou bastante ocupada...

- Por que "também"? Eu não disse que estou ocupado.

- Mas o senhor não disse que tinha muito que fazer?

- Com toda certeza.

- E isso não é estar ocupado?

- Não. Estar ocupado é a desculpa que usamos para justificar o fato de não fazermos o que não queremos fazer ou para amenizar a frustração de não fazermos o que queremos fazer.

Nesse momento uma senhora que também se encontrava na sala de espera levantou seus olhos da revista de fofoca e olhou para os dois. A secretária insistia:

- Não estou entendendo aonde o senhor quer chegar.

- Não importa onde se quer chegar, o que importa é o caminho escolhido.

- E que caminho o senhor escolheu?

- Eu não escolhi, já escolheram para mim.

- Então quem escolheu?

- Se eu soubesse essa resposta eu não estaria aqui.

- Por quê?

- Porque se, dentro da minha ignorância, isso já parece uma perda de tempo, em plena consciência seria inconcebível.

-Como uma consulta ao médico seria uma perda de tempo?

- A consulta, em seu âmago, não o é. As pequenas esperas é que me impedem de aproveitar meu tempo de modo mais eficiente.

-Senhor, todos os pacientes têm que esperar um pouco, só você está reclamando.

- É por falta de reclamar que a maioria das pessoas não sai da sala de espera, passam suas vidas inteiras nela.

A senhora que estava prestando atenção na conversa passou de um olhar fixo para um olhar vago e pensativo depois de ouvir essa última fala. A secretária, perplexa, continuou:

- O que você quis dizer com isso?

- Não quis dizer nada além do que disse.

- Mas então o que você disse?

- Você não ouviu?

- Ouvi, mas não entendi.

- Não se preocupe. A maioria das pessoas também ouve, mas nunca entende o que a vida tem a dizer.

- E desde quando você sabe o que a vida tem a dizer?

- Desde quando eu descobri que não sabia.

- E como você pode saber e não saber ao mesmo tempo?

- Reconhecer a ignorância é uma forma de obter conhecimento.

- E por que você resolveu discutir isso comigo?

- Não estou discutindo, apenas estou respondendo suas perguntas.

- Eu não me lembro de ter perguntado nada disso.

- Pergunta e resposta devem, por definição, ter conteúdos diferentes, muito embora tratem de um mesmo assunto. Responder a contendo de quem pergunta não acrescenta nenhuma informação nova.

- Eu não pedi por nova informação.

- Isso é normal. A maioria das pessoas pergunta esperando respostas conhecidas, ao invés de procurarem o que desconhecem, o que lhes é estranho.

- Então você é parte dessa minoria "privilegiada", não é?

- Não é questão de privilégio. É questão de aceitação.

- Aceitar o quê?

- Aceitar que o que você sabe determina quem você é. Tudo o que percebe e extrai da vida muda um pouco sua essência como ser e o diferencia da massa.

- Mas ninguém gosta de ser diferente.

- Ser diferente não é confortável, por isso que as pessoas recusam o que é estranho, ao invés de aceitá-lo.

- E qual a minha relação com isso? Eu sou só uma secretária...

- Você, como toda sociedade, identifica-se pela função social, sua profissão. Desse modo, não se permite ressaltar suas particularidades, suas diferenças que fazem reconhece-la como indivíduo, e não como mera parte de uma sociedade massificada, que rouba diariamente sua identidade. Afinal, quem é você?

A secretária ficou muda, pois, de repente, percebeu que não conhecia a si mesmo. Pela primeira vez foi obrigada a olhar para dentro e conversar consigo mesma, e teve uma longa discussão com sua consciência. A pergunta feita ecoava em sua mente, cada vez mais alta, até que chegou a um volume ensurdecedor... Para ela foram como horas de longas argumentações, mas na realidade não passaram de alguns segundos. Então, finalmente conseguiu abrir a boca e expirar a quantidade de ar necessária para produzir algum som:

- Eu...

Entra na sala o médico, apressado, e se dirige para ele:

- Desculpe a demora, o trânsito estava horrível. Vamos começar logo sua quimioterapia, tenho compromisso mais tarde.

Ele fez um sinal positivo com a cabeça e entrou em outra sala, sem proferir mais nenhuma palavra, acompanhado pelo médico. A secretária continuou na mesma posição em que estava quando ia começar a falar, mas agora seu olhar não conseguia focar nada, parecia que olhava para o vácuo entre os átomos do ar. A senhora, que acompanhou toda a cena, parou seus olhos na secretária. Não conseguiu explicar para si mesma o que sentia naquele momento. Olhou para o seu colo e percebeu que a revista de fofocas ainda estava em suas mãos. Livrou-se dela com um gesto de desprezo e caminhou para a saída. Antes de abrir a porta ela virou para a secretária, que ainda estava aérea, e disse:

- Desmarque minha consulta, por favor.

Naquele momento, percebeu que não suportaria mais ficar na sala de espera.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Recentemente fui encorajado a reativar o blog, então seguem alguns pseudo-poemas compostos pela minha pessoa em períodos absolutamente monótonos da minha vida. Se tiver problemas de insônia, sinta-se a vontade em lê-los. Se você não dormir em 5min nós garantimos o seu dinheiro de volta!

c u
LOUD SILLENCE

the wind's smoking my cigar
no will to raise an arm
fell nauseos by living
fell numb by not being

outside a poor man's smilling
by no reason
he just enjoys living

the wind's cleaning my face
it's so dirty by the ashes
of all nonsmoked cigars
of all passing cars

outside a couple's walking
to nowhere
they're just loving

the wind's clearing my mind
but the migrane still keeps
keeps on reminding me
all i wanted to be

outside the city is living
in sillent noise
it just keeps on going
keeps on noising
keeps on sillencing
keeps...
CLOSE THE WINDOW


life's an onpen window
with buildings so high
surrounded by dark clouds
waiting to fall
in a rain of acid water

life's an old roof
of an even older house
covered by the moss
that print the pass of time
with green and black paint

life's a sad elderly
slowly walking alone
in this long street
that leaves to nowhere
but he world we're alredy in

life's a lonely star
the first of the night
shinning alone, suffocated
by the last sunlights
that haven't given up

life's a boring afternoon
with nothing to do
but the same as always
waiting the night
to finaly sleep

life's a real dream
full of illusions as well
full of hidden reality
waiting to be found
lost in somewhere, sometime, somehow.
SADNESS

Sing a sad song
Sit and sell your soul
See the silent space.

Spare suffocating sorrow
Swim this sea
Suck the essence.

So spit the suffering
Send this shadow
Scare its fears.

Shave the sad faces
Smile the shallow eyes
Speak succinct words.

Slay stoned feelings
Spill some tears
Survive life’s score.

Shut singing voices
Spell the last notes
Save the last sleep.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

LANEGANear:

A arte de aproveitar a nostalgia que a vida nos oferece, de maximizar cada pensamento e extrair todas as sensações ao mesmo tempo que se observa a fumaça de um cigarro.

Sua pesquisa - LANEGANear - não encontrou nenhum documento correspondente.

Sugestões:

  • Certifique-se de que todas as palavras estejam escritas corretamente.
  • Tente palavras-chave diferentes.
  • Tente palavras-chave mais genéricas.