terça-feira, 7 de junho de 2011

Pohêmia

copo ou caneca
marrom, amarela
se vai a hipoteca
em goles dela

lager larguei
ale e além
malz o bier
de pilsen refém

ao fungo agradeço
fermenta o amido
eu num tropeço
já tinha caído

outubro chegando
ao sul a missão
vou cambaleando
virando alemão

a lata gosmenta
é lei da favela
por um e setenta
eu mando na goela

cerveja adorada
que bebo aos plurais
de grãos e cevada
sem álcool jamais

Soneto

orai por mim'alma ó musa do véu
foram-se os hinos de tempos infantes
tamanha é a minha dor sob o céu
que só te canto em uivos soluçantes

sofro solitário em terras escuras
Hermes me indica o caminho ao final
não sentirei mais na terra as ternuras
do teu corpo de origem celestial

a aflição que brota em meu ventre nu
me consome e me devasta em pedaços
me mata e me faz voltar em pó cru

mas eis que vejo uma esperança calada
o ventre sofrido exibe seus traços
e ao som da tua voz vou-me à privada.