domingo, 5 de julho de 2009

Crepúsculo


55 milhões de cópias vendidas em 43 países. Prêmios. Indicações por revistas renomadas. Adaptações cinematográficas. É isso que Stephenie Meyer, uma jovem escritora da Nova Inglaterra, conseguiu a partir de um sonho estranho com um vampiro.
O sonho tornou-se um capítulo e serviu de base para Crepúsculo (Twilight, em inglês), o primeiro livro da série que é febre no mundo.

Mas a minha intenção não é fazer uma crítica literária, e sim chegar um pouco mais longe.

Bella Swan é a personagem principal. Tendo uma relação de amizade com sua mãe, muda-se para a cidade do pai, com quem tem pouco diálogo. Lá fica fascinada por um grupo de jovens muito bonitos e misteriosos. Um deles é Edward Cullen, por quem ela se apaixona. Ao se envolver com o garoto, Bella descobre que ele faz parte de uma comunidade de vampiros que se alimentam de sangue de animais para, assim, manterem-se fixos num lugar só e longe de conflitos com pessoas comuns. O problema é que essas criaturas vivem numa luta contra a tentação de beber sangue humano.
Assim define-se a base da história da série, um dilema entre o amor dos dois e a sede de sangue de Edward, constantemente tentado a matar sua amada.

O livro nos traz a perspectiva de uma adolescente apaixonada que vive a exaltar a beleza sobre-humana de seu namorado vampiro, que tem diversas habilidades como correr em alta velocidade, ouvir pensamentos e tocar piano divinamente, além de ser extremamente rico.
Aí é que está o sucesso da série.

O perfil do leitor de Crepúsculo é em, esmagadora maioria, feminino e na faixa etária dos 13 aos 19 anos. Desilusões que frequentemente acontecem nesse período criam nessas garotas uma vulnerabilidade a sonhos amorosos impossíveis. As adolescentes que viram fãs da série procuram em Edward Cullen um príncipe encantado que preenche os espaços de seus relacionamentos.
Esse personagem cheio de qualidades é terrívelmente apaixonado pela namorada, declarando afeto e fazendo tudo para agradá-la sempre que é possível, e isso, aliado à estrutura em primeira pessoa, faz com que as leitoras com esse perfil mergulhem em Bella como alguém mergulha em um personagem de RPG.

Mas é importante dizer que, lendo o livro, as leitoras não estão alimentando o desejo por um namorado perfeito vampiro, já que vampiros não existem, e sim por um namorado perfeito humano, o que pode até existir. Assim, os obstáculos para o relacionamento dos dois personagens e tudo que envolve o fato de Edward ser uma criatura sedenta de sangue são secundários, deixam de ter importância diante do amor sublime de dois adolescentes. O que é delicioso para essas garotas.

Todos esses fatores geram uma legião de adolescentes neo-românticas, guiadas por uma utopia amorosa. Mas isso, é claro, não passa de futilidade de classe média, Teenage Wasteland, um bom tópico para um blog de inutilidades.

Frase de Hoje:
"Então, depois que eu li o Crepúsculo, que sua mãe me deu, eu comprei Lua Nova, li Eclipse na internet e agora to esperando sair Amanhecer." - Minha prima, 14 anos.

2 comentários:

  1. muuuuito bom!
    a gente teve essa discusão as 4 da manha em frente a sua casa! hehehe
    muito bem escrito!
    to na luta contra a preguiça de escrever no meu.. mais passa lá de qualquer jeito!
    abraço!

    ResponderExcluir
  2. na minha opinião vcs querem fazer tanto sucesso quanto Edward Cullen! relaxem, vcs já são os P.A. da galera! vamos nos contentaaaaaaaaaar!

    ResponderExcluir